quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

PRÉ-MODERNISMO 1902-1922 LITERATURA - 3ª SÉRIE "3"

 
Introdução

       O que se convencionou chamar de Pré-Modernismo, no Brasil, não constitui uma escola literária. Na realidade, Pré-Modernismo é um termo genérico que designa toda uma vasta produção literária correspondente aos primeiros vinte anos do século XX.
      Enquanto a Europa se prepara para a Primeira Guerra Mundial, o Brasil vive a República do café-com-leite, dos grandes proprietários rurais. É a época áurea da economia cafeeira no Sudeste, é o momento da entrada de grandes. Levas de imigrantes,notadamente os italianos; é o esplendor da Amazônia, com o ciclo da borracha; é o surto da urbanização de São Paulo.
         Mas toda essa prosperidade vem deixar cada vez mais claros os fortes contrastes da realidade brasileira. É, também, o tempo de agitações sociais. Do abandonado Nordeste partem os primeiros gritos de revolta. Em fins do século XIX, na Bahia, ocorre a Revolta de Canudos, tema de Os Sertões, de Euclides da Cunha; nos primeiros anos do século XX, em todo o Sertão, assolado por constantes secas, vive-se o tempo do cangaço, com a figura lendária de Lampião.
       Essas agitações são sintomas da crise na República do café-com-leite, que se tornaria mais evidente na década e 1920, servindo de cenário  ideal para os questionamentos da Semana de Arte Moderna.

PANORAMA HISTÓRICO

q     O Imperialismo;
q     Os barões do café;
q     O atentado de Sarajevo;
q     O Cangaço
Características – Pré-Modernismo         (1902- 1922)

 Apesar de o Pré-Modernismo não constituir uma escola literária, apresenta traços característicos que evidenciam:
v     Obras inovadoras que rompem com o passado, com o academicismo, a exemplo da poética de Augusto dos Anjos cuja tônica literária aponta palavras não-poéticas como cuspe, escarro, vômito, vermes.  
v     A denúncia da realidade brasileira, do Brasil não-oficial do sertão nordestino, dos caboclos interioranos, dos subúrbios.
v      O regionalismo: o Norte e o Nordeste com Euclides da Cunha; o vale do Paraíba e o interior paulista com Monteiro Lobato; o Espírito Santo com Graça Aranha; o subúrbio carioca com Lima Barreto.

v     Os tipos humanos marginalizados: o sertanejo nordestino, o caipira, os funcionários públicos, os mulatos.
v      Uma Ligação com fatos políticos, econômicos e sociais contemporâneos, diminuindo a distância entre a realidade e a ficção.
   A “descoberta de um Brasil desconhecido dos outros movimentos literários” é a principal herança do movimento pré-moderno.  


PRINCIPAIS AUTORES E OBRAS

n       Augusto dos Anjos (1884 – 1914): “Eu” (poesia)
n      Euclides da Cunha (1864 – 1909): “Os Sertões”, contrastes e confrontos”
n      Graça Aranha (1868 – 1931): “Canaã”
n      Lima Barreto (1881 – 1922): “Recordações do Escrivão Isaias Caminha”, “Triste Fim de Policarpo Quaresma”, “Numa e Ninfa”, “Clara dos Anjos”.
n      Monteiro Lobato (1882 – 1948): “Urupês”, “Cidades Mortas”, “Reinações de Narizinho”, “O Poço do Visconde”. 

Psicologia de um Vencido  

"Eu, filho do carbono e do amoníaco,
Monstro de escuridão e rutilância,
Sofro, desde a epigênese da infância,
A influência má dos signos do zodíaco.

 Profundissimamente hipocondríaco,
Este ambiente me causa repugnância...
Sobe-me à boca uma ânsia análoga à ânsia
Que se escapa da boca de um cardíaco.

Já o verme - este operário das ruínas -
Que o sangue podre das carnificinas
Come, e à vida em geral declara guerra,

Anda a espreitar meus olhos para roê-los,
E há de deixar-me apenas os cabelos,
Na frialdade inorgânica da terra!
Augusto dos Anjos



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